sábado, 12 de agosto de 2017

ROTEIRO PET FRIENDLY: PARATY, PARA PETS


Paraty, para mim, para pets
Sabe aqueles lugares que te dão a sensação de que foram feitos para você? Pois é, assim é a cidade que fica a cerca de 260 km da capital do Rio de Janeiro (e a aproximadamente 290 km de São Paulo). Um dos destinos turísticos mais visitados do estado Rio de Janeiro. O lugar aonde você chega e tem absoluta certeza de que ele foi feito “para ti”... eheheh Pegou o espírito da coisa?! 

Pode ser uma piadinha piegas. Mas, pieguices à parte, a verdade é que foi essa a sensação que tomou conta de nós assim que chegamos em Paraty. Eu e a Alegria nos sentimos em casa e absolutamente integradas àquele lugar. Tanto é que, como em poucas vezes me permito fazer, joguei todo o planejamento prévio dessa nossa Expedição Pet Friendly para o alto e me deixei levar pelas oportunidades e sugestões que iam surgindo a cada dia que acordávamos lá. Começando pela nossa permanência que, a princípio, seria de apenas 3 dias e acabou se estendendo por uma semana (e a vontade era de ficar um mês, um ano ou até, quem sabe, arrumar as malas e mudar de vez). Ok, com certeza a recepção e a acolhida dos meninos da Pousada Pontal Gardens fez toda a diferença (já já contaremos melhor sobre isso). Sim, ter um gostinho do que vem a ser a vida local, também nos maravilhou. Sem dúvidas, chegar naquelas praias e cachoeiras paradisíacas e ter tudinho praticamente privativo para nós (fenômeno possível apenas na baixa temporada) alimentou o nosso sentimento de integração. Encontrar pessoas com nível elevado de gentileza, que contribuíram de diversas formas com as nossas experiências, complementou o nosso encantamento. Mas... a facilidade (e, melhor ainda, a naturalidade) com que a Alegria pode transitar em todos os lugares por onde passamos, sem nenhum olhar atravessado, sem parecer que estávamos invadindo o espaço alheio, sem a necessidade de nos encolhermos em algum cantinho para não incomodar ninguém... Ah, isso foi a cereja do bolo!!  


Área comum da Pontal Gardens

Até a decoração é pet friendly

Quartos espaçosos e confortáveis, com quintal

Cash, o anfitrião canino

Chegamos em Parati e fomos diretamente fazer nosso check in na Pousada Pontal Gardens. Sabe aquele lugar que parece que te faz parar o tempo? Eu não disse “parar no tempo” e sim “parar o tempo”. É isso mesmo, um lugar que te dá vontade de parar tudo, sentar numa daquelas poltronas confortáveis, pegar um livro (se você não levou, pode pegar emprestado lá mesmo) e ficar ali, horas, somente ouvindo o barulho dos muitos pássaros que tomam conta da área comum, enquanto bebem água ou beliscam frutas carinhosamente colocadas todos os dias para eles. A pousada é pequenina – apenas 6 confortáveis suítes, com diferentes layouts, todas com frigobar retrô Brastemp e quintalzinho -, sem grandes pretensões em termos de áreas de lazer (não tem piscina, sala de jogos, quadras, nada disso), mas gigantesca nos quesitos charme e hospitalidade. Fruto da realização de um sonho e da busca por uma vida com mais qualidade do casal Rony (chef de cozinha) e Fernando (veterinário), o lugar é para ser curtido, sem pressa e sem pressão de horários – a começar pelo café da manhã delicioso que é servido até as 11hs da manhã. Lá, todos os portes de cães são bem-vindos, desde que dóceis e sociáveis, com outras pessoas e com outros animais, e são recepcionados pelo mascote Cash, um Labrador Retriever pra lá de “boa gente”. A localização é perfeita, a apenas 200m da Praia do Pontal, a poucos passos do canal de onde saem alguns passeios de barco e a 500m do Centro Histórico da cidade. Fomos carinhosamente recepcionadas pelo Luciano, gerente da pousada (que pouco depois se tornou o Lu).

Mas, assim que colocamos a bagagem no nosso super quarto, não perdemos tempo e colocamos os pés e as patinhas para explorar aquelas ruas de pedras irregulares (conhecidas como pé-de-moleque). Alias, fica aqui a dica: prefira calçar tênis para caminhar pelas ruas de Paraty. Isso te dará mais equilíbrio e protegerá dos tropeços. A circulação de veículos é proibida na maior parte das ruas do Centro Histórico, por isso, a melhor forma de conhecê-lo é mesmo a pé.  

Restaurante Coupê e os dogs "locais"
Antes do tour, fizemos uma paradinha para almoço no restaurante Casa Coupê, que fica logo ali na Praça da Matriz (com vista para a linda Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios) e serve a melhor comida de bar da cidade. Aceita pets de todos os portes nas mesas externas e, se necessário (como no nosso caso, que começou a chover), não tem problema algum em acomodá-los no interior. Nos fizeram companhia no almoço, o casal Hans e Ju, proprietários do Shambala Spa, que não é pet friendly mas, como amantes de animais, torcem muito para que o turismo leve cada vez mais o público pet para a cidade. Eles nos passaram dicas maravilhosas de passeios na região.  

Finalizado o almoço, hora de voltar ao tour histórico...

Hora de explorar a parte histórica de Paraty
A cidade que, durante o período colonial brasileiro (1530-1815), foi sede do mais importante porto exportador de ouro do Brasil (era de lá, que seguia para a Corte do Rio de Janeiro, o ouro procedente de Minas Gerais), está localizada junto ao oceano e entre dois rios (o Perequê-Açu e o Patitiba) e possui hoje cerca de 39.965 habitantes  distribuídos em aproximadamente cinquenta bairros e localidades – os principais são os de Laranjeiras, Mambucaba e Centro Histórico. 

Seus casarios históricos, que mostram a herança portuguesa da época colonial do século 18, foram requalificados como pousadas, restaurantes, lojas de artesanato e museus. Mas não perderam a sua identidade, preservando a sua história e sua cultura nas suas fachadas, no colorido, nos símbolos maçônicos e religiosos e em outros detalhes. O que já lhe rendeu os títulos de “o conjunto arquitetônico colonial mais harmonioso", pela UNESCO, e Patrimônio Nacional tombado pelo IPHAN.

Perder-se pelas ruas de Paraty não é muito difícil (mas, sim, é delicioso), pois você segue andando, entrando e saindo das lojinhas, tirando mil e uma fotografias, como se estivesse num labirinto e, quando se dá conta, já se passaram horas. Existem tours guiados pela cidade, mas, com as dicas valiosas do Hans e da Ju, e também do pessoal da Pontal Gardens, preferimos “nos perder” por conta própria. Ah, assim como em Monte Verde (MG), em Paraty você encontrará muitos cães nas ruas. Por isso, o seu peludo precisa ser um animal tranquilo, dócil e sociável. Os “locais caninos” são super de boa, nem se incomodavam com a nossa passagem. Todos bem cuidados, com coleiras e percebemos que haviam recipientes com água e comida para eles em muitos dos estabelecimentos. Á noite, alguns deles até são abrigados nas lojas.

Matriz Nossa Senhora dos Remédios e Igreja Santa Rita de Cássia


Começamos nosso tour independente pelo começo. Ou melhor, de onde tudo começou: a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, que estava logo à nossa frente, na Praça da Matriz. Foi ali que, por volta de 1630, em terras doadas por Dona Maria Jácome de Melo, iniciaram a construção de uma pequena capela para Nossa Senhora dos Remédios, da qual ela era devota. E a vila passou a crescer em volta da pequena capela que, mais tarde, foi demolida e, em seu lugar, construída uma igreja maior, de pedra e cal, obra bastante custosa que só terminou em 1712, com a ajuda financeira da piedosa senhora Paratiense, Dona Geralda Maria da Silva, que por isto recebeu do Imperador Dom Pedro II o título de Dona do Paço. Um detalhe curioso são as torres inacabadas e o fundo da edificação por terminar. Acredita-se que isso aconteceu não só pela falta de recursos e mão-de-obra escrava, mas também porque a igreja teria afundado, inclinando-se perigosamente para frente, devido à inconsistência do terreno onde foi construída.

Como já deve ter dado para perceber, a história de Paraty carrega uma forte influência religiosa, especificamente católica, vinda de Portugal. Além da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, o Centro Histórico possui mais 3 igrejas: Igreja de Santa Rita de Cássia, Igreja de Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Quando construídas, cada uma foi sendo destinada a uma camada da população: senhoras aristocratas, escravos, homens pardos libertos, etc.

Esta influência se traduz não só na arquitetura, como também nas festas tradicionais que até hoje acontecem na cidade histórica de Paraty, como: Festa do Divino, Corpus Christi, Festa de Nossa Senhora dos Remédios, de Nossa Senhora do Rosário, etc.

Casarios coloniais de Paraty


Paraty se escreve com I ou com Y?

Eu não sei vocês, mas nós nos perguntamos muitas vezes: afinal, o nome do município se escreve com “Y” ou com “I”?! Pois, normalmente, vemos as duas formas serem utilizadas, né?


Paraty, na língua tupi, significa "peixe de rio" ou "viveiro de peixes", era o nome que os índios guaianás davam ao local onde hoje se situa a cidade. Já “Parati” é uma espécie de peixe da família das tainhas (Mugil Brasiliensis) e que, durante o inverno, vem desovar e procriar nos rios que desembocam na baía de Paraty e depois voltam ao mar.

Originalmente, o nome do município era grafado com dois "i": Paratii. Posteriormente, já no século XVIII, os colonizadores decidem manter o antigo nome indígena – com “Y”, que foi mantida até 1943, quando a Convenção Ortográfica Brasil-Portugal suprimiu o Y do alfabeto português.

Esta situação ambígua perdurou até 1972, quando o Senador Vasconcelos Torres, atendendo às solicitações feitas pelas autoridades locais, apresentou ao Senado Federal o Projeto de Lei no. 25, determinando que a grafia das cidades e monumentos históricos "tivessem os seus nomes expressos na forma ortográfica em que eram escritos antes de 18 de janeiro de 1944". A Comissão de Educação e Cultura, através de seu Relator, o Senador Milton Trindade, quanto ao mérito do projeto de lei, sugere: "...a nossa impressão vai mais longe: nenhuma medida oficial, amparada ou não em lei, conseguirá impedir que a grafia de determinado nome continue sendo escrita de determinado modo, se, na verdade, O SEU REGISTRO É O QUE VEM DA TRADIÇÃO HISTÓRICA, IRREMOVÍVEL, SE CONSAGRADA PELO CONSENSO GENERALIZADO DE UMA COMUNIDADE..." (o grifo é nosso).

O referido projeto de lei foi rejeitado porque os parlamentares acordaram que não se deveria impor às outras cidades históricas a grafia antiga, que poderia não lhes agradar.

Mas acatando a sugestão do Relator Milton Trindade, no Parecer no. 261, transcrito, a comunidade paratiense, através de seus Órgãos Públicos e entidades locais, passou a utilizar papéis timbrados com a grafia PARATY e vem insistindo para que todos passem a utilizar a antiga forma ortográfica.

À semelhança, porém, do que ocorre com o topônimo Bahia (cidade e estado) que é grafado com "h" e a palavra baiano não é, assim Paraty (cidade município) se escreve com "y", mas paratiense se escreve com "i". Isto para se aplicar a Ortografia Brasileira vigente.

Igreja de Nossa Senhora das Dores
Sim, a parte histórica e cultural é riquíssima. Mas, como vocês sabem, a gente embarca nas nossas expedições sedentas de aventura e muita interação com a natureza, né? Então, para nós, esse tour básico já atendeu nossas expectativas. A gente sabia que Paraty era muito mais que apenas uma pequena cidade histórica e queríamos conferir! 

Entre a baía da Ilha Grande e o belo trecho da Mata Atlântica, Paraty se impõe no cenário das mais incríveis e charmosas cidades do mundo. 


No quesito montanhas, a cidade é rodeada de Parques e Reservas Ecológicas, dentre eles: Parque Nacional da Serra da Bocaina, a Área de Proteção Ambiental do Cairuçú, a Reserva da Joatinga e ainda, faz limite com o Parque Estadual da Serra do Mar. Ou seja, é Mata Atlântica por todo lado. O que a torna uma das regiões mais preservadas do Brasil.

Super propícia à prática de esportes de aventura e ecoturismo, em Paraty pode-se caminhar por dias a fio. Mas, infelizmente, nós não tínhamos esse tempo todo – mesmo com a esticadinha em nossa estadia.  

Então, no dia seguinte, selecionamos um dos circuitos de cachoeiras e partimos de mochila nas costas, eu e a Alegria.  Desta vez, precisamos tirar o carro do estacionamento.  Normalmente, as cachoeiras que visitamos fazem parte da rota da maioria dos Jeeps que levam os turistas para conhecer as cachoeiras e alambiques de Paraty. O acesso pela pista de terra pode ser complicado para veículos sem tração, mas nós não tivemos nenhum problema em fazer o percurso com nosso carro (uma Sandero Stepway). Se estiver indo para Paraty pela primeira vez e quiser incluir o roteiro das cachoeiras na sua programação, convém saber se as estradas são compatíveis com o seu veiculo ou se não será melhor contratar um tour com veículos 4x4.


Entrada do Villa Verde e a ponte pêncil

Restaurante Villa Verde

Jardim e piscinas naturais

Meu amigo caiçara, me mostrando as águas do rio Perequê

Passando pelo trevo de Paraty, em direção a Cunha, cerca 6 km da pousada, do lado esquerdo da estrada, fica a entrada para o Restaurante Villa Verde. Você verá somente uma placa com o nome do restaurante, deverá estacionar em algum local mais apropriado (não há estacionamento) e seguir pela ponte de madeira, atravessando por cima do rio Perequê. Este é um lugar que merece ser incluído no seu circuito gastronômico de Paraty. Infelizmente, não tive a chance de experimentar uma das deliciosas massas caseiras feitas pelo chef Dario Rossera, porque estávamos apenas começando o dia e, na verdade, nós tínhamos ido parar ali por causa das piscinas naturais que nos indicaram. Sim, o restaurante italiano está na área de um dos parques de Proteção Ambiental e às margens do rio Perequê. Ali, pode-se passar o dia banhando nas águas límpidas e cristalinas das piscinas naturais e curtindo a natureza e tomando um drink, enquanto sua massa é preparada na cozinha totalmente aberta. Um lugar duplamente delicioso e pet friendly.  

Igreja da Penha

Cachoeira do Tobogã

Poço do Tarzan
Depois dos mergulhos nas piscinas naturais do Villa Verde, seguimos a estrada e, alguns quilômetros depois, do lado direito, uma igreja nos chamou a atenção: a Igreja da Penha, construída em cima de uma grande rocha, que lhe dá um ar bem pitoresco.  Ali, há um estacionamento, onde se paga uma taxa de R$ 10,00 (valor de julho/2017) e pode-se usufruir da estrutura de banheiros, visitar a igreja e ter acesso à trilha que levará à Cachoeira do Tobogã.  No local, também há um marco da Estrada Real e um do Centro de Informações Turísticas do Caminho do Ouro, indicando que este trecho faz parte da famosa rota turística-histórica que reúne quatro caminhos da época do Brasil Colonial que passam pelos estados de Minas Gerais (principalmente), Rio de Janeiro e São Paulo.  

Em pouco tempo se alcança a Cachoeira do Tobogã. Normalmente é uma das mais visitadas de Paraty, mas estava ali, todinha para nós.  Seu principal atrativo é a grande pedra lisa por onde corre o fluxo de água, formando um grande tobogã, onde se pode escorregar até cair em uma piscina natural. Eu preferi pular essa parte do escorrega, mas a Alegria não dispensou uns mergulhos. Depois, seguimos para o Poço do Tarzan, que fica logo acima do Tobogã. A trilha que liga as duas cachoeiras é bem tranquila, sendo preciso somente algum cuidado por conta de pedras escorregadias no caminho. Para chegar até o Poço do Tarzan, é preciso atravessar uma pequena ponte pênsil de madeira, por cima do rio – o que não deixa de dar mais um ar aventureiro ao passeio. Uma bela cachoeira que desemboca num poço de profundidade variada (alguns pontos mais rasos, outros não tanto) e, juntos, formam um ótimo local para um mergulho restaurador. Não estava calor, mas, como eu dificilmente nego um banho de cachoeira, resolvi nadar junto com a Alegria. Uma pedra de 10,80 metros de altura completa o cenário. Ali, ao lado, o Restaurante Poço do Tarzan serve bebidas, lanches e refeições. Mais uma vez, demos a sorte de termos o local exclusivamente para nós.  

Trilha para a Cachoeira da Pedra Branca
Poço da Usina e cascata e poço superior
Paraíso todo nosso!!
Mergulho refrescante 

Nós e a natureza: conexão total!

Dali, seguimos para a cachoeira da Pedra Branca. Trata-se de uma das mais belas cachoeiras de Paraty, localizada dentro de uma propriedade privada, onde se paga uma taxa de R$ 5,00 para entrada e conservação do local (valor de julho/2017). Seguimos por uma pequena trilha, limpa e sinalizada, e, em apenas dez minutos avistamos o primeiro poço com a cachoeira principal. Conhecido como Poço da Usina, porque ali encontram-se as ruínas da primeira usina de força da cidade.  

A vista era de cair o queixo, mas, para ter acesso ao poço, era preciso descer alguns metros por um caminho lateral à cachoeira. Além disso, com 6 metros de profundidade, o local não inspirou muita confiança para descermos e nadarmos, uma vez que estávamos sozinhas (gostamos de aventura e adrenalina, mas somos conscientes). Fizemos somente uma parada para fotos e para apreciação e seguimos uma escadinha por cima da cachoeira (nesse trecho, é imprescindível colocar o cão na guia!), que nos levou a um segundo poço com uma cascata mais amigável. Ficamos por lá... e ficamos, ficamos...até bater a fome e nos darmos conta de que já estávamos ao meio da tarde e ainda não havíamos almoçado.  

Partimos da cachoeira para a praia. Eis aqui um dos pontos encantadores de Paraty: você vai da água doce para a salgada, das montanhas para o litoral, da cachoeira para o mar... em questão de minutos.  


Caminhada na Praia do Jabaquara e paradinha para almoço


La Luna Bistrô: comida boa, visual incrível e hospitalidade animal

Fechando o dia com as patas na areia

A belíssima baía de Paraty possui cerca de 60 praias, sendo algumas com acesso por carro, outras por trilhas e muitas com acesso apenas por barco. Próximas ao Centro Histórico, temos a Praia do Pontal (aquela que está a apenas 200m da Pousada Pontal Gardens) e a Praia do Jabaquara. Foi nessa segunda opção que decidimos finalizar nosso dia.

Popular entre os moradores, a Praia do Jabaquara tem acesso fácil, mar calmo e diversos quiosques e restaurantes. Ideal para velejar, andar de pedalinho, caiaques e SUP, atrai famílias com crianças, pois não possui ondas. Em uma das suas extremidades, desagua o rio Jabaquara, deixando a água do mar escura e o fundo lodoso, onde se encontra a famosa lama de propriedade medicinal. Fizemos uma pequena caminhada pela extensa faixa de areia e encontramos muitos outros tutores passeando com seus mascotes, tranquilamente. Fomos até o La Luna Bistrô, onde ali mesmo, pés e patas na areia, vista para o mar, paramos para almoçar e finalizar o nosso dia.  

Ponta para zarpar: Protetor solar Pet Society, Repelente Preserva Mundi e toalha T4P


Na manhã seguinte, estávamos ansiosíssimas para zarpar no nosso passeio de barco. Existem duas maneiras de fazer um passeio de barco em Paraty:  A primeira é nas escunas, com capacidade para até 150 passageiros, onde os passeios duram, em média cinco horas, com roteiros pré-definidos, musica alta, serviço de bordo e, muito provavelmente, não aceitarão o seu mascote. A segunda opção é contratar uma embarcação exclusiva para você e o seu mascote e montar o seu roteiro de acordo com o que vocês irão curtir e também com alguma avaliação sobre as frequências dos locais, para que vocês consigam fazer paradas mais tranquilas e legais para o seu pet.  Obviamente, escolhemos a segunda opção. 

Pode zarpar, capitão!

Visual da baia de Paraty

Guiadas, num roteiro exclusivo, sugerido pelo simpático marinheiro Sr Irenio, um dos poucos barqueiros pet friendly de Paraty - que faz parte da preciosa listinha de sugestões do pessoal da Pontal Gardens (olha nós aqui de vips outra vez!), saímos ali do canal da cidade em direção ao nosso dia de aventura no mar. A embarcação simples, mas muito bem conservada e limpa, não tinha banheiro, mas dispunha de cooleer para levarmos bebidas, colete salva-vidas e snorkel... além de muita gentileza e simpatia do Sr Irenio.  E o melhor de tudo, estava todinha disponível para nós e seguiria rumo às praias que escolhêssemos.  

Essa parte da escolha foi um pouquinho difícil. Afinal, a baía de Paraty abriga mais de 60 ilhas paradisíacas e 90 praias irretocáveis de areias brancas e mar cor, hora azul, hora verde.
  


Praia de Jurumirim
Imagens que conseguimos das tartarugas
Uhuuuu, a praia de Amyr Klink é nossa!!!

Paraiso em meio às montanhas e Mata Atlântica

Dá pra ficar aqui o dia todo?!

Nossa primeira parada foi na Praia de Jurumirim. E, vou te contar, a minha vontade era dispensar todo o resto do roteiro e passar o dia todinho lá naqueles 2 a 3 metros de faixa de areia, rodeada por montanhas e Mata Atlântica. E, além de nós, os únicos seres que deram as caras foram um gatinho que dormia em baixo de uma árvore e duas tartarugas que colocaram rapidamente a cabeça para fora d´água numa velocidade que nem me deu chance de tirar uma foto. Não dizem que tartarugas são lentas? ahahaha Pois é, aquele pedaço de paraíso, de águas tranquilas, pertence à família do navegador Amyr Klink (e foi de onde ele iniciou sua viagem para a Antártica) e serve de habitat para as tartarugas de Pente, uma espécie em extinção no mundo.  Nós desembarcamos, corremos um pouco pela areia e mergulhamos. Mas o passeio precisava continuar.  


Parada para conhecer o Engenho de 500 anos


Na próxima parada, o Sr Irenio decidiu os mostrar um moinho de um dos primeiros engenhos de cachaça da região.   Ele não sabia explicar muito bem a história, só sabia que tinha mais de 500 anos. Ficava numa praia, não muito conhecida, onde paramos o barco e entramos num pequena trilha na mata... e lá estava ele, enorme, de ferro, quase se fundindo com a vegetação que já tomava conta, e a poucos metros do mar. Não sei como conseguiram levar aquilo para lá há tantos anos atrás, nem como esse engenho funcionava ali. Mas a imagem era impressionante.  


Simbora pra próxima parada

Ilha da Pescaria: Alegria dividindo os biscoitos com os peixinhos
Dali, seguimos para a Ilha da Pescaria, um local digno de marajá, com cinco casas construídas e um heliporto – segundo informações, de propriedade de Cid Ribeiro, diretor da LG. Mas, como a maioria das ilhas pertencentes a nomes famosos e endinheirados ali da baia, os que frequentam mesmo os locais acabam sendo os caseiros. Pois seus donos mal aparecem por lá... Não há desembarque na ilha. Ali, a parada é para mergulhar e nadar com os peixinhos que surgem assim que o Sr Irenio joga farelos de biscoitos na água. A Alegria não sabia se pulava no mar ou se roubava um biscoito da mão do Sr Irenio ahahah. Eu confesso que fiquei um pouco receosa, pois o mar estava bastante mexido e agitado e nadar em alto mar é algo que não me deixa exatamente confortável. Eu adoro banho de mar, desde que meus pés alcancem a areia. Mas, normalmente, prefiro me arrepender de ter encarado, do que amargar o arrependimento de ter deixado a oportunidade passar. Então, coloquei o colete e o snorkel e mergulhei. A Alegria veio logo depois de mim e me dei conta de que era a primeira vez que a minha filhota fazia um passeio e nadava em alto mar. Estar de colete, para ela, também foi importante, pois assim ficamos as duas mais tranquilas.

Quando fizemos o passeio, assim como na maioria dos lugares onde paramos, só tínhamos nós, mas durante a alta temporada os barcos chegam a fazer fila para que os visitantes possam mergulhar com os peixinhos ali. Por isso que eu amo baixa temporada!

Pois é, a experiência não foi das mais legais, nem para mim nem para a Alegria, por conta da agitação do mar e logo voltamos para o barco e seguimos viagem até a Lagoa Azul.  Cercado por rochas e mata verde, o local é uma grande piscina natural repleta de vida marinha. O tom da água que dá nome ao lugar é tão intenso que impressiona. Desembarcamos, nadamos, tiramos fotos e seguimos rumo a Paraty Mirim, na Praia do Cruzeiro, de onde sai a trilha para o Pão de Açúcar. Nossa idéia era subir no pico mas, infelizmente, quando chegamos, não havia nenhum guia para nos acompanhar e o Sr Irenio me desencorajou ir sozinha. Deixamos para a próxima visita a Paraty.

Lagoa Azul

Praia Vermelha - Paraty 

Com mais um amigo caiçara, curtindo o final do dia na Praia Vermelha
Nossa última parada, a Praia Vermelha é uma bela praia com areias avermelhadas, com acesso apenas por barco. Um dos pontos de parada das escunas, pois oferece uma estrutura com restaurantes para refeições e bares com cadeiras e mesas à beira-mar. Ali, nosso barco parou a certa distância e um barquinho menor, do Restaurante Bambubar, veio nos pegar para levar até a areia. Havia algumas pessoas na praia, mas bem poucas. Alegria logo se enturmou com um cãozinho caiçara e correram muito, brincando na areia e no mar, sem ninguém se importar. A comida não é muito barata (o problema dos lugares muito turísticos), pode-se pagar R$ 65 por um PF!! Mas come-se muito bem e os frutos do mar são fresquinhos. Sem falar no visual que se tem enquanto se come.  

E nosso dia estava chegando ao fim. Cerca de quase 8 horas de passeio e quase não vimos o tempo passar. Na volta, nosso gentil marinheiro ainda fez questão de parar junto a um barco pesqueiro e me fez uma linda e deliciosa surpresa: pegou com o colega um balde cheinho de camarões e me deu de presente!!! Vou comer camarão até a próxima visita a Paraty, por conta do Sr Irenio.  


Trilha no Manguezal, em Paraty-Mirim

Praia de Paraty-Mirim (point secreto rss)

Cash, me apresenta o refúgio da família em plena baía de Paraty

Cães ao marrrrrr!
E, no nosso terceiro dia em Paraty, muitos eram os planos de passeios. Havíamos pensado em explorar a região de Trindade, mas soubemos que lá, por ser uma área de proteção ambiental, não permitiam o acesso de animais domésticos, sob risco de multa. Mas o que mais me preocupou mesmo, foram as informações sobre a incidência de leishmaniose na região. Abortamos o roteiro, joguei todos os planos para o alto e me deixei levar pelas gratas oportunidades que o destino me presenteia. O Rony e o Fernando (proprietários da Pontal Gardens) nos convidaram a conhecer um cantinho muito especial deles e do Cash: uma casa, no alto da montanha, na praia de Paraty-Mirim. E nós aceitamos! Passamos um dia maravilhoso, fizemos uma trilha em meio ao manguezal e a Alegria e o Cash se divertiram horrores na praia e no píer privativo da casa.  Ao voltarmos, almoçamos no Quiosque Cheiro de camarão, na Praia de Corumbê. 


Praia de São Gonçalo: tatu ou cachorro?!

Farofeira canina kkk

Oieeeee!

No dia seguinte, nosso último dia em Paraty, mais uma vez, Rony, Fernando e Cash, nos fizeram companhia, desta vez para conhecermos um pouquinho mais das praias “locais”. Passamos a manhã na Praia de São Gonçalo, uma extensa praia de onde saem barcos que levam turistas para a Ilha dos Pelados. Os cães ficaram brincando na área e nadando no mar, enquanto nós simplesmente curtíamos o momento. E finalizamos o dia e nossa estadia com um delicioso churrasco na casa de um dos amigos dos meninos e do Luciano, regado a vinho, música, papo legal, cachorros exaustos e uma vista animal!! Como não voltar a Paraty?!! 


Rony, Nando e Cash: nossos anfitriões especiais. Gratidão!



Veja o video da nossa Expedição Pet Friendly Paraty







SERVIÇOS:
POSTO ARCO –ÍRIS ROSEIRA (Pit Stop No km 82 da Rodovia Dutra, para quem sai de SP. Tem espaço pet friendly na praça de alimentação e banheiros que permitem a entrada dos pets)

POUSADA PONTAL GARDENS

RESTAURANTE CASA COUPÊ

RESTAURANTE VILLA VERDE

LA LUNA - BISTRÔ DE PRAIA

QUIOSQUE CHEIRO DE CAMARÃO




Larissa Rios

terça-feira, 18 de julho de 2017

Saiba como denunciar maus-tratos ou crueldade contra animais



Muita gente (muita gente mesmo!) nos escreve pedindo informações sobre como denunciar maus tratos animais.

Ainda que não seja exatamente o nosso trabalho, vai super de encontro àquilo que pregamos e à nossa missão. Afinal, o que a Turismo 4 Patas faz é promover o bem-estar animal, através da sua inserção na vida social das famílias, de forma equilibrada.

Por isso, resolvemos compartilhar aqui algumas informações sobre o tema, que encontramos  no site da WORLD ANIMAL PROTECTION.

Maltratar animais, no Brasil, é CRIME púnivel por lei. Está regido pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605, de 12.02.1998 (Lei de Crimes Ambientais) e pela Constituição Federal Brasileira, de 05 de outubro de 1988.

Estão protegidos pela lei animais de quaisquer espécies, sejam domésticos, domesticados, silvestres ou exóticos e são caracterizados como maus-tratos atos que incluam: abandono, envenenamento, prisão constante em correntes ou cordas muito curtas, manutenção em lugar anti-higiênico, mutilação, contenção em espaço incompatível ao porte do animal ou em local sem iluminação e ventilação, utilização em shows que possam lhes causar lesão, pânico ou estresse, agressão física de qualquer tipo, exposição a esforço excessivo e animais debilitados (tração), rinhas, etc.

Em quaisquer um dos casos acima citados, você pode ir à delegacia de polícia mais próxima para lavrar o Boletim de Ocorrência (BO), ou comparecer à Promotoria de Justiça do Meio Ambiente. É possível denunciar também ao órgão público competente de seu município, para o setor que responde aos trabalhos de vigilância sanitária, zoonoses ou meio ambiente. Lembrando que cada município tem legislação diferente, portanto caso esta não contemple o tema maus tratos pode utilizar a Lei Estadual ou ainda recorrer a Lei Federal.

Veja mais informações no link
https://www.worldanimalprotection.org.br/denuncia


Larissa Rios


quarta-feira, 28 de junho de 2017

ROTEIRO PET FRIENDLY: AVENTURA EM MONTE VERDE


Alegria no portal de Monte Verde

Monte verde fica na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. Não é uma cidade, e sim um distrito de Camanducaia (MG)... Mas, cá pra nós, isso é irrelevante, porque, quem vai para aquelas bandas, quer mesmo é desfrutar de Monte Verde.

Saindo da capital paulista, seguimos (eu e a mascote, Alegria, claro!) tranquilamente pela rodovia Fernão Dias e, em duas horas e meia percorremos os 170 km.

O Vilarejo surgiu em 1913, com a chegada de um jovem empreendedor imigrante da Letônia: o senhor Verner Grinberg. Em busca de um lar cujo clima e paisagem lembrassem sua terra natal, ele fundou a Fazenda Pico do Selado e se instalou com sua família. Aos poucos, seus amigos e conterrâneos também se interessaram pelo lugar e foram adquirindo lotes da fazenda, dando inicio ao pequeno povoado de Monte Verde – uma tradução literal do sobrenome do seu fundador: grin”, verde, e “berg”, monte. Aos poucos, letões, húngaros e alemães deram início à construção de uma vila com aspecto tipicamente alpino. Por isso, as suas semelhanças em diversos fatores, incluindo a culinária e a arquitetura, nos remete à Europa. Alguns até se referem a Monte Verde como a Suíça brasileira.

Passeio pela vila de Monte Verde

14ºC: é isso mesmo, produção?!
Monte Verde é muito comparada (e, muitas vezes, considerada uma alternativa um pouco mais tranquila) à charmosa Campos do Jordão por causa do seu clima favorável a baixas temperaturas. No inverno, os termômetros registram temperaturas negativas que chegam a -10°C (o recorde registrado até hoje foi de -13°C, em agosto de 1999). E, no verão, as medidas oscilam entre 26°C durante o dia e 14°C à noite. O fato é que a região está sempre sujeita a quedas bruscas de temperatura, por isso, tenha sempre roupas de frio na sua bagagem para não ser pego de surpresa. E se tem uma surpresa que eu dispenso, é passar frio.

Ao longo do tempo, a pequena vila cresceu e acabou cedendo ao aquecimento turístico, que tomou conta do lugar e hoje é a sua principal atividade econômica.

A população local, estimada em cerca de 5.000 moradores, fundou uma espécie de “segunda vila”, lá no alto da serra, onde suas casas e estabelecimentos comerciais que atendem aos moradores se fixaram.

Na alta temporada de inverno e nos festivais, mais de 18.000 visitantes lotam o vilarejo. Não é a toa que sua infra-estrutura turística é impressionante: são mais de 100 restaurantes e cerca de 200 meios de hospedagem pra dar conta do recado!

É na avenida principal – a Avenida Monte Verde -, onde estão localizados os principais restaurantes (especializados em Fondues, trutas e comida alemã), as lojas de artesanatos e malhas, queijos e vinhos e as fábricas de chocolates.
Boteco do Lago e uma deliciosa truta
Alegria curtindo a vista e seu potinho de água

Como chegamos lá já na hora do almoço, fomos direto para o point: o Boteco do Lago. Localizado bem na parte central da avenida, o restaurante tem esse nome por conta do pequeno lago que tem na frente (o que deixou a Alegria fascinada). Fomos recepcionadas pela simpática Márcia, que nos acomodou numa mesa ao fundo (por opção minha, mas ela me deixou super a vontade para escolher a que eu quisesse) e logo providenciou um potinho com água para a Alegria. Era o almoço do Dia das Mães e o restaurante estava relativamente cheio. Mas, nem por isso, percebi algum olhar incomodado com a presença da Alegria. Pelo contrário, todos pareciam bem habituados à presença de cães nos locais. E até havia outros peludinhos nas mesas vizinhas. Tinha som ao vivo, mas nada incômodo. Aceitei a sugestão da Márcia e pedi uma truta com amêndoas e risoto na casquinha de parmesão com batata assada no cream cheese (se é pra enfiar o pé na jaca, enfiamos com vontade, né ?!).

Depois do almoço, decidi já explorar um pouquinho dessa tal avenida principal. Logo na saída do restaurante, o termômetro oficial da cidade me lembrava que estávamos a 14º em plena tarde de domingo. Uma caminhada faria bem à digestão e para aquecer o corpo.

Não tive nenhum problema em caminhar por lá com a Alegria e até entrar em algumas lojas (exceto as de queijos). Visitamos a pracinha, o portal da cidade e, em 30 minutos já tínhamos visto praticamente tudo. A única coisa que quebrou um pouco a nossa tranquilidade foi o fato de que, em Monte Verde, há muitos cães nas ruas. E não são necessariamente cães de rua não. Muitos deles têm tutores, usam coleiras, mas passam o dia livremente na rua. A maioria deles é tranquila e dócil, com exceção de dois vira-latas parrudos que resolveram nos mostrar que eram os donos do pedaço. Mas a gente deu conta e tudo acabou na paz. De qualquer forma, fica o alerta para que prestem atenção ao caminhar na cidade, especialmente se o seu peludo não foge de uma provocação.

Hotel Fazenda Itapuá

Nossa varanda: relaxamento e reflexão

Conforto, espaço e ambiente totalmente acolhedor

Natureza em todos os detalhes

Piscina e deck panorâmico


Olha só que visual!

Muita belezura numa foto só, né?

Depois da caminhada, seguimos para o Fazenda Hotel Itapuá, um hotel que se confunde com a fazenda, que se confunde com a história da família e que me confundiu porque eu teimava em falar (e escrever nos meus posts das redes sociais) que era Hotel Fazenda e era constantemente corrigida pela Rebecca (proprietária), informando que o correto é Fazenda Hotel. Mas... que diferença isso faz?! Ahhhh, quando você conhecer, você vai ver que faz diferença sim!

O Hotel faz parte da história da família. A fazenda foi construída pelo pai da Rebecca, que dedicou sua vida àquele lugar e fez dele a sua própria casa. A Rebecca mora lá até hoje (com seus cachorros lindos!). Com personalidade única, cada cantinho da fazenda te faz sentir, de alguma forma, em casa. A equipe super acolhedora, a recepção com lareira e chazinho quente, o café da manhã com sabor de bolo de vó... Em mais de 20.000 m2 de bosques, para onde se olha, se vê araucárias e pinheiros. Alias, só lá que eu me dei conta de que vivo vendo árvores mas nunca tive a curiosidade de aprendera  identifica-las. Pois bem, conheci a araucária e me encantei. O silêncio só é cortado pelo canto dos pássaros...e pelo barulho das águas do rio Itapuá que corre ali atrás.

São 20 chalés super charmosos e espaçosos, distribuídos de forma a preservar a privacidade dos hóspedes e as características naturais do lugar. O nosso, o Chalé 13, com lareira e uma super banheira de hidromassagem, tinha uma vista de cair o queixo, para o vale e ainda dava para curtir o visual do deck onde fica a piscina e a hidromassagem. Lá, é pra mergulhar e se conectar com a natureza. Até porque... internet somente na recepção e, dependendo do chalé onde você esteja hospedado, não é pertinho não. Portanto, esqueça o mundo lá fora e relaxe. Ah, pets até o porte grande são muito bem-vindos no hotel.

Com sua economia voltada basicamente para o turismo, Monte Verde recebe visitantes o ano todo. Destino sonhado para casais apaixonados e em lua de mel, desejado por amantes da gastronomia, para quem busca relaxamento ou até mesmo compras.  É perfeitamente possível fazer tudo isso numa mesma visita. E nós fizemos (quer dizer, tirando a parte da lua de mel eheheh). Mas é obvio que queríamos muito mais, né? Porque o que a gente curte mesmo é o contato com a natureza. E, se tiver uma dose de adrenalina, melhor ainda! Então, o foco da nossa trip era o ecoturismo e a aventura.

Pois bem, Monte Verde está localizada dentro do Circuito Serras Verdes, cercada pelas montanhas da Serra da Mantiqueira, em um vale a mais de 1.500 metros de altitude. São quilômetros de trilhas, dezenas de montanhas e uma extensa área de Mata Atlântica original (que faz parte e é protegida pela APA Fernão Dias) com fauna e flora deslumbrantes. Uau, não podíamos deixar isso passar diante dos nossos olhos enquanto balançávamos na rede do chalé, caminhávamos pelas lojas da vila ou enchíamos a cara de fondue!!

Trilha das corredeiras do Itapuá
Uma trilha nível intermediário, que exige atenção por conta do rio
Corredeiras do Itapuá: somente para hóspedes

Então, demos inicio verdadeiramente à nossa Expedição Pet Friendly na manhã seguinte, quando a Rebecca nos acompanhou para explorarmos, primeiramente, a área do hotel... ou melhor, da fazenda. Pois é, se você não tiver muito a fim de ficar saracoteando pela cidade ou já conhece Monte Verde, mas decidiu voltar, nem precisa sair da Fazenda Hotel Itapuá. Lá mesmo você tem opção de relaxar, se aventurar e comer bem. Seguimos para a Trilha das Corredeiras do Itapuá, que acompanha as margens do Córrego do Cadete, passando por corredeiras e quedas d´água.  A trilha tem cerca de 1,5km de extensão e grau de dificuldade moderado por conta do terreno irregular. Como todo o percurso vai margeando o rio e nem todos os trechos são seguros para nadar, é preciso bastante atenção no controle de cães que são alucinados por água. Na dúvida, sugiro manter o seu auventureiro na guia. A Alegria foi solta, mas, em alguns momentos fiquei tensa porque a tentação era grande pra ela. Ao retornarmos da trilha, ao entrarmos novamente no hotel, passamos pelo Lago Misterioso e ai ela pode satisfazer a sua vontade e dar alguns “tchibuns”.

Lago Misterioso: pode pular?

Araucária centenária

Araucária centenária

Prainha com cascata: tesouro bem escondido


Pra fechar a manhã, a Rebecca nos levou num lugar mágico. Um quase segredinho escondido ali entre as terras da fazenda e as terras de propriedade da empresa Melhoramentos (a do papel, dos cadernos, sabe? Que, by the way, é dona de quase todo o território de Monte Verde atualmente). O lugar é chamado de Bosque das Bruxas. Uma estrada, cercada de araucárias gigantes. Cenário de filme. Uma paz, indescritível. E, lá no meio, acessando uma entradinha que só quem conhece sabe onde vai dar, seguimos uma pequena trilha e demos de cara com o que eu posso chamar de “a rainha das Araucárias”. Com mais de 500 anos, uma coisa impressionante! Alias, até difícil de se conseguir enxergar ela toda, pois sua copa fica tão alta que quase não dá para ver. Bem no meio da floresta, imponente e majestosa. Seguimos mais um pouquinho e paramos numa prainha fluvial, à beira do rio e com uma cascata deliciosa. Não, não estava calor. Mas, nessas minhas aventuras da vida, se tem uma coisa que eu aprendi a não deixar passar é um bom e revigorante banho de cachoeira, esteja a temperatura que estiver. E, como a filhota puxou a mim (ehehhe), não pensamos duas vezes e colocamos as cabeças em baixo da queda d´água. Sai de lá outra pessoa. E ela, outra cachorra.

Alegria a bordo!!!

Hummm será mesmo pro lado de lá?

Trilha para a Pedra Redonda

A tarde, foi a vez do passeio com a agência NOSSA VIAGEM TURISMO. O Marcos, proprietário da empresa, foi quem nos buscou pessoalmente no hotel. Embarcamos no jipe e começamos o passeio conhecendo alguns pontos da cidade como o Mirante e a galeria de arte. Mas tudo muito rapidinho porque a nossa programação mesmo era a trilha da Pedra Redonda. E tínhamos pressa porque havia um encontro muito importante marcado por lá.

Dos principais picos mais altos da região (os outros são: Chapéu do Bispo, Platô, Pedra Partida e Pico do Selado), a Pedra Redonda é a considerada de percurso mais fácil. Classificada de nível moderado, com cerca de 900m de extensão, é a mais visitada e a que mais se indica para famílias e crianças. Mas isso não significa que não haja dificuldade em percorrê-la. Chegando ao ponto de inicio da trilha, bem na entrada do PARQUE VERNER GRINBERG, fique atento pois há uma casa (da família que toma conta do estacionamento do local) onde moram alguns cães e els são bastante territorialistas. Eram cerca de 5 ou 6 e, logo que avistaram a Alegria, tentaram nos cercar. Eles investiram mesmo e, além da experiência que eu tenho, a ajuda do Marcos foi fundamental para controlarmos a situação. Os primeiros 600m metros são de subida e, para quem está acostumado a caminhadas, como nós, a dificuldade nem seria tanta se não fosse o efeito da altitude. Pois é, a Pedra Grande está a 1.950 metros de altitude e, no caminho, essa diferença pode ser sentida e facilmente ter efeitos na sua resistência e capacidade físicas. E na do seu peludo também!

No início eu estranhei um pouco o meu cansaço pois estou habituada a percorrer trilhas todas as semanas e a gente mal tinha começado. Cheguei a pensar que talvez fosse por causa do passeio que fizemos na manhã mas ai percebi que a minha respiração esta um tanto quanto pesada. Literalmente, me faltava ar. Lembrei rapidamente de uma sensação semelhante que senti quando estive no Peru e que uma das principais preocupações de quem visita aquele país é justamente o Soroche – ou, simplesmente, o mal da altitude. De repente, olhei para a Alegria e percebi que a respiração dela também estava alterada (ainda que a sua energia permanecesse inabalável). Bingo, estávamos sofrendo os efeitos da altitude!



Mal da altitude, Mal da montanha, Soroche...

Estes são alguns dos nomes que se dá para os efeitos sofridos pelo corpo humano quando exposto a altitudes acima do nível do mar.

Normalmente, a 2.000 metros de altitude (que era o nível para o qual estávamos caminhando), a quantidade de oxigênio não é baixa o suficiente para que a gente sinta facilmente os efeitos. Mas, de qualquer modo é uma adaptação e temos que considerar que existe um aspecto imutável, que é a suscetibilidade e resposta individual à altitude, ou seja, algumas pessoas sentem mais do que outras. Mulheres parecem se adaptar mais facilmente do que homens e crianças normalmente sofrem para se adaptar. Atletas podem sofrer bastante enquanto pessoas sedentárias não sentem nem uma dorzinha de cabeça. Cada indivíduo tem seu próprio organismo. E o fato é que, tanto eu quanto a Alegria sentimos.

Os sintomas mais comuns são a aceleração do coração - Sinal de que o organismo está fazendo um esforço extra para continuar captando o oxigênio que sempre esteve acostumado a absorver- e, a partir daí, o pulmão começa a trabalhar mais trazendo a sensação de falta de ar. Mas, algumas pessoas chegam a sentir tonturas, enjôos, sensação de desmaio, enxaqueca, diarreia, etc.

Quanto maior a altitude, mais rarefeito é o ar e menor é a pressão atmosférica. Ou seja, a disponibilidade de oxigênio diminui e, consequentemente, fica mais difícil respirar. E os sintomas piores. Altitudes superiores a 4.000 metros podem levar a consequências agudas e sérias, com risco de morte, como o Edema Pulmonar da Altitude e o Edema Cerebral da Altitude.

A diminuição da pressão atmosférica provoca a expansão das moléculas de ar, o que faz com que um determinado volume de ar inspirado tenha menos moléculas de oxigénio do que ao nível do mar. Com isto, podemos dizer que a quantidade de oxigênio é menor e o corpo precisaria de uma série de adaptações imediatas possa trabalha corretamente acima do nível do mar.

Nossa respiração fica mais rápida e os batimentos cardíacos aumentam enquanto o nosso corpo tenta se habituar às novas condições de clima. Estas são as principais adaptações agudas, que não são totalmente eficientes. Para se ter uma ideia, em uma altitude de 3.000 metros (média de muitas estações de esqui), a taxa máxima de consumo de oxigênio cai a 85% do total. Ou seja, nossa eficiência não é a mesma.

Paralelamente à diminuição da Pressão Atmosférica, dá-se uma drástica diminuição da humidade e da temperatura do ar.

A diminuição da temperatura e da humidade contribuem também de forma significativa para a degradação da capacidade física. No caso da temperatura, o nosso organismo tem de gerir o fluxo sanguíneo de forma a conseguir levar o sangue a todas as regiões do corpo, mantendo o calor e ao mesmo tempo o trabalho muscular. A diminuição da humidade do ar agrava esta situação porque provoca um aumento da desidratação que dificulta ainda mais a manutenção da temperatura corporal e o “abastecimento” das células, diminuindo o volume sanguíneo.

E, quanto mais alto, pior: alpinistas profissionais, por exemplo, correm o risco de sofrer edemas pulmonar ou cerebral ao tentar escalar o Everest, que tem quase 9 mil metros de altitude.

Eu acabei descobrindo, nessa trilha, que os animais também podem enfrentar dificuldades na mudança de altitude. 

Quando animais adaptados a baixas altitudes ou a planícies experimentam a Hipoxia ou Hipoxemia (conteúdo de oxigênio arterial menor que o normal) de altas altitudes, a pressão parcial de oxigênio reduz no sangue, aumentando a frequência e a amplitude da respiração no intuito de recuperar a pressão sanguínea.

Por causa do aumento da frequência respiratória, mais gás carbônico (CO2) será perdido pelos pulmões, levando a Hipocapnia (pressão de CO2 reduzida) ou pressão de PO2 menores do que o normal.  Lembrando que, em mamíferos, a PCO2 sanguínea fornece o primeiro impulso para respirar.

Portanto, a baixa PO2 em altitudes também pode causar nos nossos mascotes a dificuldade para respirar, resultando em respiração profunda ou rápida, conhecida como hiperventilação (quando a ventilação pulmonar é maior que a necessária para a eliminação de CO2).



Dicas para proteger você e o seu peludo do mal da altitude:


* Façam uma alimentação leve e pelo menos umas duas horas antes da trilha.

* Respeite SEMPRE o limite e a capacidade física – sua e do seu mascote. Nada de apressar o passo. Desfrutem do passeio, façam pausas para descanso e para recuperar o fôlego.

* Uma boa hidratação é fundamental, pois a respiração acelerada causa desidratação.

* Tenha atenção redobrada caso o seu mascote seja de alguma raça braquicefálica (focinho curto / achatado).  Os cães braquicefálicos possuem o sistema respiratório superior comprimido e uma abertura nasal muito pequena, o que, já em condições normais, compromete sua habilidade de inspirar ar. Sem falar na tendência a hiperventilação (aumento brusco da freqüência respiratória) e hipertermia (aumento da temperatura). 

* E, ao perceber que o seu mascote não está bem, interrompa o passeio imediatamente e procure o veterinário mais próximo (que, com certeza você terá o contato, pois pesquisou previamente no planejamento e organização da viagem, certo?)


Fontes: WEBVENTURE e Princípios de Fisiologia Animal (By Christopher D. Moyes | Patricia M. Schulte)


Bom, depois de uma pequena pausa para nos recuperarmos dos efeitos do mal da altitude que nos pegou, seguimos em ritmo pacificado, desfrutando do cenário, até que chegamos a uma plataforma de madeira com visual deslumbrante. Ai, já havíamos percorrido aproximadamente 600 metros de trilha. Continuamos subindo umas escadas de madeira e, mais um pouco de esforço, e chegamos ao cume. Podemos dizer que a dificuldade enfrentada na subida é recompensada pela visão ampla de toda Monte Verde e mais  a vizinha vila de São Francisco Xavier. Mas o que valeu a pena mesmo foi termos chegado a tempo do encontro. Lembra, que falei que tínhamos um encontro? Encontro marcado com ele, o Sol, que nos esperou para dar o seu espetáculo final deste dia.
Plataforma mirante
Apreciando o visual

É SP ou MG?

Posando para as fotos

Comemorando nossa subida!

Hora do grande encontro...

O por do sol



Ali, no mirante, tiramos muitas fotos, dentre elas, no símbolo da divisa entre São Paulo e Minas (simmmm, a Pedra fica entre os dois estados). Muito cuidado, pois há locais de risco de queda e escorregão. Vimos muitos turistas colocarem-se em situação de risco por conta de uma foto. Olhe bem onde você pisa e onde faz sua pose. Pra nossa sorte, o Marcos oferece o serviço de vídeo tour nos passeios da Nossa Viagem Turismo e nem nos preocupamos muito com isso porque ele foi registrando todos os nossos passos.

Fechamos nosso dia com um por do sol daqueles!




Veja como ficou o videotour


Na manhã seguinte, foi a vez de encontrarmos com o Melo – do projeto Caminhada Consciente, que trabalha em parceria com o Fazenda Hotel Itapuá. A programação do dia era bem desafiadora: como já iriamos embora no dia seguinte, decidi tentar explorar 3 dos principais picos restantes numa tacada só. A gente sabia que não seria fácil, não somente pelas distâncias a serem percorridas, mas também pelo nível de dificuldade das trilhas e, mais ainda, pela necessidade de ter que fazer alguns trechos de escalada para subir em dois dos cumes. Sim, ESCALADA! Eu nunca tinha praticado escalada na vida. E a Alegria muito menos. Uma coisa ficou muito clara logo no início: eu não a colocaria em risco desnecessário e ao menor sinal de desconforto dela, desistiríamos (pois é, minha preocupação principal era ela. Nem lembrei que eu também poderia ter medo, né? ehehe). E o Melo nem titubeou em concordar. E foi a partir dai que ele ganhou a minha confiança, que foi crescendo ao longo do dia a cada gesto de cuidado e atenção que ele tinha com a Alegria. Sem falar que o Argentino, filho de montanhista, já passou praticamente mais da metade de sua vida explorando montanhas em vários locais. Era experiente, o Hermano!

Mapa dos Picos de Monte Verde

Lá vamos nós!

Seguimos para o ponto de inicio de todas as trilhas – a entrada do parque (lembrem-se dos cachorros territorialistas que mencionei lá na Trilha da Pedra Redonda, tá?). Nossa rota seria: Chapéu do Bispo, Platô e Pico do Selado.

A trilha até o Chapéu do Bispo é considerada fácil, com apenas 650 metros de extensão, pode ser percorrida em cerca de 30 a 40 minutos. Mas lembre-se do mal da altitude: o Chapéu do Bispo está um pouco mais acima da Pedra Redonda, a 1.955 metros de altitude. No caminho, em mata fechada, vão surgindo alguns mirantes que dão diferentes vistas da Monte Verde.

Ao chegar na base, nota-se que não se trata de uma pedra única mas sim de um conjunto de rochas de 10 metros de altura, cuja disposição explica bem seu nome. Você pode admirar o pico da sua base, sem problemas. Mas se quiser ter acesso à vista mesmo, tem que alcançar o cume. A partir daqui é que se inicia o desafio. Para atingir o seu cume é preciso subir uma rampa rochosa, com muito cuidado e uma certa perícia. Alguns vergalhões encravados na pedra e trechos mais “escavados” servem de apoio para encaixar as mãos e os pés.

Havia chegado o momento e, confesso, eu realmente duvidei que a Alegria fosse capaz de encarar essa numa boa. Ela tem o espirito aventureiro, já explorou varias trilhas comigo durante as aventuras da Turismo 4 Patas, já fez rafting, boiacross, etc. Mas, escalar uma montanha? Estar num cume há quase 2.000 metros de altitude? Ela é uma cachorrinha um tanto quanto assustada. As vezes ela se assusta na rua com estátuas, baldes de lixo ou, em casa, com um simples ranger da porta ao vento. Eu realmente não estava levando fé e achei que teria que desistir, porque jamais colocaria a minha filhota em alguma situação que a levasse ao estresse emocional/psicológico. E não é que a danada me surpreendeu?!

Assim que o Melo me passou as orientações, eu fui me posicionando, subindo pedra por pedra, fazendo uma espécie de “trepa trepa” , pois, nessa primeira escalada, não usamos cordas e sim as mãos. Quer dizer, no caso da Alegria, as patas. Já desgastadas pela pratica de trekking desde filhote, suas patinhas ásperas a ajudavam a manter o equilíbrio, a tração e a estabilidade que precisava para transitar pelas rochas. E eu usei o Pet Glove (da Pet Society) que ajuda a proteger.

A experiência do Melo começou a provar-se essencial pois ele ia dizendo exatamente em quais locais da rocha eu poderia pisar e de que maneira posicionar o meu corpo e minhas mãos. E íamos posicionando a Alegria também, puxando através da guia e do peitoral (que foi essencial), e ela seguiu dando um show. Inicialmente meio desconfiada, claro. Mas sem sinal algum de desconforto. Ao contrario, parecia até que ela estava curtindo e se auto-desafiando. Seu rabinho balançava o tempo todo. E a expressão não deixava dúvidas de que adrenalina estava correndo nas veias. Nas nossas veias! Chegamos ao cume e a sensação de vitória era demais. O visual idem. Ficamos um tempo lá em cima, curtindo nosso primeiro “degrau” superado.

A descida foi um pouquinho mais difícil, pois exigia ainda mais cuidado no posicionamento dos pés na rocha. E, mais uma vez, a ajuda do Melo – inclusive pegando a Alegria com seus 35 kg ao colo em alguns trechos-, foi fundamental.

Base do Chapéu do Bispo
Atenta às orientações do Melo

Agora, nossa vez de escalar a rocha!



Muito bem, garotas!!!!

Continuamos a travessia, passando pelo Platô

E seguimos rumo ao Pico do Selado
  
Fiquei pensando nos diversos artigos que li, em blogs e guias de Monte Verde, que orientam o turista a fazer essa trilha e a subida ao pico sozinho, por conta própria. Sinceramente, considero meio irresponsável. A não ser que você tenha experiência em montanhismo, não faça o que eu costumo chamar de “economia porca”, contrate um guia! Sua segurança – e a do seu cachorro – valem muito mais!

Seguimos para o próximo mirante: o Platô. Na verdade, não é um pico, e sim uma laje extensa de granito que fica a 1.945 metros de altitude. A trilha exige disposição, pois são praticamente 1.200 metros de subida constante. Chegando lá, o terreno plano, repleto de canteiros e muitas bromélias, por si só, já seria um baita cenário para sentar um pouquinho, descansar e refletir sobre a jornada. Sim, essa travessia é uma ótima oportunidade para refletirmos, nos sentirmos conectados com a natureza, curtirmos o silêncio e termos a noção do quão pequenos nós somos diante do poder da vida. Sério, juro que isso não estava dentre os meus objetivos quando coloquei esse trekking em nossa programação, mas a cada mirante que nos abria a janela para um visual diferente, a cada ponto que alcançávamos, eu me sentia mais feliz por estar ali e por estar podendo compartilhar esse momento e essa conquista com a minha mascote. E fomos muito abençoadas porque, além de nós duas, somente o Juan nos acompanhava. Vimos pouquíssimas pessoas durante a trilha e quando chegávamos aos picos, eles eram todos nossos. No platô, encontramos somente uns cavalos pastando e uma vista panorâmica dos arredores, que nos mostra os demais picos. Nem o sinal de celular ou internet nos alcançavam.

Partimos rumo ao nosso cume final e o mais esperado de todos: o Pico do Selado. Existem duas trilhas para chegar ao Pico do Selado: Um é pela trilha da Pedra Redonda, passando pelo Chapéu do Bispo e Platô (que foi a que fizemos) e a outra é indo direto pelo Platô (considerada mais puxada).

Para mim, foi o trajeto mais lindo, com ar místico e de encantamento. O que, por vários momentos, me fez esquecer o cansaço e retomar o fôlego. São quase 5 km, partindo do Platô, por este motivo, ela é classificada como nível difícil e não é recomendada para crianças. Acrescento que também não recomendaria para cães idosos e sem o preparo físico adequado. No início, caminhamos por um lindo bosque fechado, com uma flora bem diversificada e que, para mim, até se diferenciava um pouco dos caminhos que fizemos anteriormente. Fique bastante atento se o seu peludo for solto pois, de vez em quando, o bosque é interrompido por passagens abertas onde caminhamos bem na borda da montanha. Sim, é um tanto perigoso! Se preferir, mantenha o seu mascote na guia durante a trilha. A cada clareira que encontrávamos, abria-se um visual de cair o queixo. O que só ia aumentando nossa gana de chegar até o desafio final: atingir o cume do Selado.
Janela do Selado: antes de encararmos o último desafio

Agora, chegou a  vez da grande escalada! Melo orienta e instala os equipamentos
Lá vamos nós!!!
Uau, se valeu a pena?!! SUPER!!!
  

Mas, ao chegarmos à base, um presente: uma janela natural feita por duas pedras, que provavelmente rolaram e se encaixaram (não me pergunte como) e, esse encaixe, formou um buraco por entra a luz do sol e moldura a paisagem.

Ali, ao pé do pico você avista um mirante. Mas, não se engane, porque, para alcançar mesmo o cume, ai é preciso mesmo escalar!

Existem duas opções: a primeira é subir a pedra que forma a “Janela do selado” e escalar à mão, como fizemos no Chapéu do Bispo, ou com cordase, lá em cima, saltar sobre uma fenda de cerca de 70m centímetros de largura sobre uma altura de 5 metros. Tudo isso, para então encontrar o famoso livro de assinaturas. A outra opção é subir por outra pedra mais alta, fazendo o uso de escalada com cordas. Analisamos e achamos que o risco de saltar a tal fenda já é perigoso para humanos, quanto mais para a Alegria. Preferimos encarar a escalada da pedra mais alta.

O Melo montou todo o equipamento de escalada que havia levado em sua super mochila e me passou as instruções. Respiramos fundo e nos posicionamos – eu e ela juntas. Eu segura a corda numa das mãos e, na outra, apertava firme a sua guia junto à corda. O fato dela estar usando um peitoral, próprio para cães aventureiros (da Alcott Gear), em forma de colete, foi fundamental. Atrás de nós, um vale gigantesco. À nossa frente, a rocha era quase uma parede vertical. Focamos no nosso objetivo, o cume, e encaramos. Eu nem sei quanto tempo durou a subida, acho que nem chegou a 1 minuto, até porque, a Alegria saiu praticamente me puxando. E quando chegamos no topo, aquela vista de 360º estampou na nossa cara. Juro que até ela fez expressão de surpresa. Era uma coisa indescritível. E nós, ali, pequenininhas, na pontinha daquela montanha –listada como um dos maiores picos do Brasil! Isso não tem preço!

Lá em cima, todo cuidado do mundo é pouco. Porque não há muito espaço para movimentação, venta bastante e sim, é muito alto! Amarramos bem a guia da Alegria num gancho de escalada que estava preso à pedra, para não corrermos nenhum risco. Nos sentamos, fizemos um lanche e ficamos alguns minutos – os três – absorvendo o máximo possível daquele momento.

Yes, o Pico do Selado é nosso!!!
Parceria e conexão!

Assina meu nome também, viu mamys?!

O sorriso no rosto e na fuça de quem acaba de superar um desafio delicioso

Eu fiquei muito emocionada. Não sabia se sentia mais orgulho de mim mesma – porque, sim, eu também nunca tinha escalado na vida! -, ou da minha filhota. Tive vontade de chorar e a minha mente só conseguia pensar numa palavra: gratidão. Ali, em cima daquela montanha, sentadas lado a lado, eu e a Alegria finalmente nos conectamos 100%. Quem conhece a nossa história, sabe que eu perdi a minha grande companheira de aventuras e viagens há cerca de 7 meses – a Cléo. E, a partir dai, tanto eu quanto a Alegria estamos vivendo o processo de luto e uma readaptação – à nossa nova rotina, à ausência da Cléo,  uma à outra. Nós estávamos construindo, pouco a pouco, uma relação nossa. Mas eu sentia que ainda faltavam algumas peças para se encaixarem. Mesmo que eu já amasse tanto a minha pestinha, eu carregava certa “culpa” por estar substituindo a Cléo, eu me negava a admitir que ela não era mais a minha companheira de aventuras oficial, eu não me permitia entregar o meu coração por inteiro à Alegria. E ali, naquela montanha, depois de 5 horas de caminhada, de uma escalada sem cordas e outra com cordas... depois de esforço físico, frio, falta de ar, mal da montanha... de nos motivarmos mutuamente através dos olhares, de confiarmos inteiramente uma na outra e de nos surpreendermos com o tamanho da nossa coragem e resistência... não restou dúvida: sim, nós formamos uma dupla! Sim, eu tenho uma nova parceira e isso não invalida, de maneira alguma, a importância da Cléo na minha vida. Pelo contrário, apesar de ter algumas diferenças de personalidade e temperamento (ela é mais doce, carente e assustada), a Alegria aprendeu direitinho com a sua irmã como aproveitar as aventuras da vida. A Cléo treinou lindamente a sua sucessora para que nunca me falte uma lambida a cada cume que eu conquiste. Eu tive a certeza de que ela estava ali conosco, com o mesmo sentimento de orgulho que nos invadia – à mim, à Alegria e até ao Melo.  



Dicas para fazer montanhismo com o seu cachorro

Quando pensamos em fazer qualquer percurso de montanha é preciso planejamento. Se teremos a companhia do nosso mascote, tenha ainda mais precauções. Com organização, cuidado e respeito pelos limites do seu animal, pelos demais montanhistas e pelo local a ser visitado, tudo dá certo.


·         Conheça bem o temperamento, perfil e a capacidade do seu animal para o percurso que irá submetê-lo. Além do nível de dificuldade e da extensão do percurso a ser percorrida, considere também que, na montanha podem-se registar mudanças bruscas de temperatura, surgirem passagens tecnicamente complicadas para os cães e outros imprevistos que poderão colocar em risco o bem –estar e a segurança do seu mascote. Não force a barra ao perceber qualquer sinal de que o cão esteja desconfortável, física, psíquica ou emocionalmente com qualquer situação. Se necessário, interrompa a aventura!  O nosso cão é o nosso melhor amigo, temos a obrigação de retribuir na mesma moeda.

·         Quando se trata de trilha em montanhas, ainda mais quando não conhecemos a área, é sempre recomendável ter o acompanhamento de um guia. Uma pessoa experiente, que já tenha feito o percurso, conheça seus riscos e saiba como solucionar possíveis imprevistos (ainda mais quando estamos com cães!), garante que a sua preocupação será somente em curtir o passeio e desfrutar da companhia do seu amigão. Se acontecer algum problema, você e o seu mascote não estarão sozinhos.

·         Prepare uma mochila com água suficiente  para você e o seu peludo (algumas trilhas podem ter fontes, outras não. Então previna-se!), frutas para um lanche (banana e maçã são algumas das opções que vocês podem compartilhar sem problemas), toalha (caso haja um rio ou cachoeira), kit de primeiros socorros, protetor solar e repelente (estes dois últimos, no caso do seu mascote, devem ser próprios para animais) . A Alegria usa o protetor solar da Pet Society e o Repel Neem da Preserva Mundi.

·         Tenha em mãos o telefone do médico veterinário mais próximo, caso necessitem.

·         O seu pet deve estar com uma plaquinha de identificação – contendo dados como o nome dele, seu nome, seu telefone e – se possível – telefone de onde vocês estão hospedados. Caso ele se perca, quem o achar, poderá entrar em contato com você ou com o seu hotel (caso você ainda esteja na montanha e sem cobertura de celular)

·         Use calçados próprios para trilha (Tênis, ok?! nada de papetes, sandálias ou sapatilhas). E, para proteger as patinhas do seu peludo, pode usar um creme apropriado ou as botinhas de neoprene para cães. Eu prefiro o creme e a Alegria usa o Pet Glove, da Pet Society.

·         Use calça comprida, pois pode haver trechos de vegetação alta ou plantas com espinhos por onde passar. E também porque a temperatura pode variar bastante ao longo do tempo em que durar a aventura ou até mesmo variar de acordo com o trecho percorrido. Tenha sempre um agasalho de reserva, para você e, dependendo da raça, para seu peludo também.

·         Mulheres ATENÇÃO: brincos, colares, pulseiras são totalmente dispensáveis para essa atividade. Podem dificultar movimentos de escalada, prender nas árvores, enfim... desnecessários.

·         Não esqueça a guia e o peitoral. Se você não contra bem o seu mascote, é preferível mantê-lo na guia. A montanha é um lugar maravilhoso, mas também imprevisível. Podem surgir despenhadeiros, passagens estreitas e superfícies escorregadias e você não ter como ajudar o seu animal. A presença de animais selvagens (e outros como bois, cavalos e até mesmo outros cães que moram na região) é frequente e um possível confronto com o seu mascote pode ser evitado, caso ele esteja na guia. Se a trilha for bastante movimentada, outros montanhistas podem se sentir incomodados ou ameaçados pelo seu cachorro solto. Quanto ao peitoral, no caso das escaladas, são fundamentais para que possamos puxar ou pendurar nosso mascote sem machuca-lo. Tem que ser peitoral tipo colete e não os de tira, ok? O da Alegria era da Alcott Gear. Enforcadores e coleiras, nem pensar.

·         Vá no ritmo de vocês dois. Observando sempre se ele está muito cansado ou ofegante. Faça paradas para descanso e hidratação, mesmo que ele não pareça estar a fim. Cães não sabem dosar muito os limites, especialmente em situações que os levem à excitação como passeios e aventuras. Querem curtir ao máximo possível e só param quando atingem a exaustão. Você não vai querer o seu peludo exausto no meio da trilha. Portanto fique atento e controle. Lembre-se também dos efeitos do mal da montanha (que falamos acima).

·         Não deixe absolutamente nada para trás, isso inclui o cocô do seu mascote. Leve sacos e traga todo o seu lixo e do seu peludo de volta.

Meu pequeno "Poodle" que escala montanhas ;-)

No caso específico da nossa travessia pelos picos de Monte Verde, devo dizer que vários blogs que consultei mencionavam que não haveria necessidade de contratação de guia, pois as trilhas são sinalizadas. Pois bem, à exceção do ponto inicial das trilhas – que fica na entrada do Parque Verner Grinberg -, onde você encontra placas indicando a direção das trilhas para cada pico, eu não me lembro de ter visto mais nenhum tipo de sinalização nas 6 horas de caminhada que fizemos. Ou elas não existem, ou estão bem escondidas pela vegetação. Além disso, as trilhas possuem muitas bifurcações, algumas naturais, outras feitas pelos cavalos que pastam em alguns trechos e isso pode ser uma grande cilada fazendo com que o visitante se perca facilmente. A única trilha que, de fato, pode ser feita tranquilamente por conta própria é a da Pedra Redonda. Até porque, é a mais movimentada e você cruza o tempo todo com pessoas indo e vindo. Basta seguir o fluxo. As demais, eu não considero de fácil orientação para quem não seja experiente. E muito menos para quem vai com cachorro. Em praticamente todo o percurso não há sinal de celular ou internet, caso haja alguma emergência e você precise pedir por socorro. Se precisar de algum resgate, fique sabendo que Monte verde não tem Corpo de Bombeiros (o mais próximo está em Camanducaia, há 30 km) e, quando acontecem ocorrências nas montanhas, normalmente quem faz o resgate são os próprios guias locais. Ou terão que aguardar os Bombeiros chegarem. E, por último, alguns trechos da travessia (especialmente no trecho para o Pico Selado) são um tanto quanto desertos. Você pode até cruzar com alguns visitantes, mas não é muito comum. Não que seja comum a prática de assaltos ou outras ocorrências nas trilhas (não tenho nenhuma informação sobre estatísticas criminais na região), mas não acho prudente – ainda mais para mulheres que viajam sozinhas – desbravar o local sem companhia. Gente, qualquer escorregão - seu ou do seu mascote -, um animal que surja no caminho, uma bifurcação que te tire da rota, um mal estar...enfim, qualquer imprevisto que aconteça, você estará sozinho e incomunicável.  Fiquei imaginando, se acontecesse algo com a Alegria, como eu conseguiria carregá-la? E, se acontecesse comigo, como ela ficaria, quem cuidaria dela? Enfim, achei bem incoerentes e inconsequentes as informações que encontrei.

Mas, como tivemos, em todos os nossos roteiros, um ótimo suporte, nossa experiência foi maravilhosa e temos momentos inesquecíveis guardados nas nossas lembranças... e aqui no Blog para compartilharmos com vocês.




Nosso vídeo da Expedição Pet Friendly Monte Verde (MG)



SERVIÇOS:
RESTAURANTE BOTECO DO LAGO
RESTAURANTE DONA MUCAMA
CAMINHADA CONSCIENTE
Guia: Melo
                  (35) 99189-4145